Ocorreu um erro neste gadget

segunda-feira, setembro 05, 2011

Teófanes, o gigolô do Biribinha [PARTE 2]



Sem você não sou ninguém

Teófanes tem um amigo argentino que faz bonecos de mamulengos. E esse seu bróder lhe fez um bonecão, maior que os tradicionais, inspirado no personagem biribinha. Hoje, inquieto, o baiano filho de Arapiraca está em processo de criação de uma história psicológica – e existencial. “Eu sem você não sou ninguém” é o possível título de uma peça onde Biribinha e Teófanes sobem pela primeira vez ao palco. Só que dessa vez separados. Como? Biribinha encarnará no boneco de mamulengo como que uma voz que lhe saiu da cabeça. Teófanes interpretará ele mesmo e discorrera sobre conflitos de carregar um personagem por 53 anos e ter que ouvir desaforos do tipo “Você é um gigolô” de um boneco com alma. Para essa sua criação, já conta com apoio e contato direto com envolvidos da produção do seriado Hoje é Dia de Maria. Pretende iniciar a produção em 2012.




Uma pergunta no meio da conversa

janu –  Você já pensou em desistir?
teófanes – Nunca. Eu vim cumprir missão.

Algumas Influências


No meio da sua vida teve o prazer de conhecer Georges Savalas Gomes, o palhaço Carequinha, uma de suas maiores influências como Palhaço. E outro tão importante quanto na sua composição cênica foi Chaplin. Quando abriu sua mente para a arte de Charles, foi quando viu que também poderia revelar a riqueza da cena através do ato, através da ação.  O seu inconsciente criativo já moldava e transparecia o grande Ator que sua juventude lhe transformara.


Vida de Ladeiras
O espetáculo não parou

O patriarca da família Silveira tinha falecido. A família continuou no circo por cinco anos, mas o circo fechou. Biribinha começou a fazer palhaço em festas de aniversários e outros eventos. A contragosto, de fato. Passou por essa fase do seu trabalho, e da sua vida, com muita dificuldade e sem prazer. Bem como músicos que são destinados aos eternos barzinhos e festas de casamento ou como artistas plásticos que terminam por fazer desenhos de vasos e flores para garantir sua sobrevivência. O Artista perde seu gosto pela Arte quando ela vira um ganha pão sem gosto. Ai que nascem os mais deprimentes seres da sociedade: o Artista desgostoso. Geralmente, sucumbem por terem medo de ousar. Mas Teófanes ousou. Seguiu sua intuição por um sonho que teve: sonhou que tirava a lona do circo e ficavam apenas o picadeiro e o público. A partir dessa sua viagem onírica, Teófanes enveredou-se num momento de sua produção artística, onde hoje em dia é tão discutida por grandes intelectuais do teatro e de todas as artes: A Arte Marginal. Não, não to falando do moreno da praça que fica enrolando a galera por 2 horas pra pular um circulo cheio de cacos de vidro e as vezes pegando fogo. Mas sim da arte que pulsa, aqui no caso, o teatro de rua. Na rua reaprendeu novas formas de lidar com o público, enfrentar sua platéia e lidar com o seu maior júri crítico olhos nos olhos, platéia itinerante.  A rua é mais uma matéria pro seu curso da vida.

Na rua apenas não há cobertura”.

As intervenções biribinescas na vida de janu

Meu primeiro contato com Biribinha eu tinha meus 5 anos. E corri, com medo. Segundo minha mãe. Eu lembro que eu sempre gostei muito de Freddy Krueger e do Chucky, Brinquedo Assassino. Mas sim, eu tinha medo de palhaços e pelo que eu sei odiei o fato dos palhaços animarem a festinha. Não acabaram me animando. Reconheço hoje que devo ter sido uma centenas de crinças pé no saco que o seu Teófanes teve que aturar durante essa fase da sua vida.

Meu segundo contato foi artístico. Em 2006, já com meus 17 pra 18, eu tinha escrito uma peça pra APJ (Ação Paramaçônica Juvenil) de Arapiraca, a qual eu fazia parte. Era uma adaptação de Sonhos de Uma Noite de Verão [que virou Sonhos de Uma Noite de Sertão]. Eu, escritor engatinhando e menos do que amador no ramo teatral, fiquei meio perdido pra além de ter escrito, dirigir uma peça com mais de 15 atores. Ai que apareceu o Mestre Teófanes, junto com seu filho Junior Silveira (que tempo depois viria a ser campeão do Se Vira Nos 30 do programa do Faustão. Ganhou a competição nacional tocando garrafas. Retifico: tocando garrafas lindamente) [ retificando novamente: fui pesquisar e descobri que o Mixuruca ganhou o se vira nos trinta duas vezes, em 2005 (garrafas) e em 2009 (tocando panelas)] .



Os dois foram de importância fundamental na produção daquela peça que foi totalmente produzida para ser apresentada em Brasília pra mais de 1.200 jovens de todo o Brasil. Fizemos um curso intensivo de teatro, tardes e noites antes da esperada viagem. 

Teófanes além de professor nos mostrava suas cartas na manga e personagens que eu nunca imaginaria que ele possuía. Não por capacidade, mas pelo fato do “Palhaço” ter marcado muito no estereótipo da sua carreira. Tudo mudou durante aquele mês de 2006. Foi naquele ano de convivência que além de aluno, virei fã do Mestre Teófanes.  Todos os figurinos do nosso espetáculo foram emprestados pela Trupe da Turma do Biribinha. Algumas meninas aprenderam a maquiagem teatral de uma forma que parecia dom. Eu mesmo me impressionei com o impulso transformador na vida dos jovens que estavam se aventurando nas artes cênicas;  Antônio Carlos, Jéclysson “Taboca”, Igor Ferrário, Júnior Desenho... Entre outros, foram fundamentais pra o sucesso de uma peça que não terminou e que foi aplaudida de pé na capital do Brasil, para milhares de little monsters da maçonaria brasileira. Foi nesse tempo, 2006, que até o próprio Biribinha viria a saber depois que seria o Seu ano. O ano que o “agora vai” viraria “agora foi”.









Quando o "agora vai" virou "agora foi"

Em vários momentos da vida Teófanes se deparou com o momento “Agora Vai”. Seja quando era contratado para festas maiores, quando ia pra outros estados se apresentar em circo ou quando alguma oportunidade ou até quando algum político lhe oferecera grandes contratos por causa dos antigos e liberados ShowMicios, enfim, algo que lhe daria a estabilidade profissional que qualquer ser humano deseja na sua carreira. Não que depois de 2006 ele enriqueceu rios de dinheiro – mas foi justamente nesse ano que aceitou um desafio que mudaria sua vida artística; Acatou a proposta de um amigo da Bahia, Eugenio Talma, para se inscrever num Festival de Teatro de Curitiba.




Apresentou seu espetáculo de Circo-Teatro e Teatro de Rua (que bem podemos  classificar separadamente) chamado “O Reencontro de Palhaços na Rua é a Alegria do Sol com a Lua”. Antes ele não ia para festivais, concursos, porque não gostava do clima de competição e tinha bastante humildade pra preparar o seu trabalho.

Foi exatamente nesse festival onde Biribinha, Mixaria e Mixuruca deram show na capital paranaense, num espetáculo cheio de qualidade, música, tradição e lógico bom humor. que no outro dia foi um dos espetáculos mais falados do festival. Ganhou uma página inteira no jornal da cidade e recebeu uma resenha crítica de Beth Néspoli do Jornal O Estado de São Paulo. Depois dessa divulgação e mais alguns outros veículos midiáticos, Teófanes e sua trupe já saíram do festival com 31 espetáculos marcados (entre eles, 2 internacionais). Depois daí, tudo fluiu mais naturalmente. Teófanes se firmou e obteve um certo reconhecimento como Artista completo.

Pra ter uma idéia do impacto desse espetáculo na vida da turma do  biribinha, façamos um teste; vá lá no Google e cole esse título: O Reencontro de Palhaços na Rua é a Alegria do Sol com a Lua.  Tirem suas próprias conclusões.

Depois do ano mágico de 2006 Teófanes se apresentou pro todo Brasil, fez o Palco Giratório SESC, apresentou-se na Europa (com um ótimo destaque na Noruega), foi “tombado” Patrimônio Vivo da Cultura Alagoana, efetivado Membro da ACALA e foi chamado (sim, não foi atrás de nenhum teste) pra participar da novela da globo Araguaia, que foi exibida no começo de 2011.

Hoje a Trupe Turma do Biribinha está instalada em Campinas – SP desde agosto, onde vai passar até 1 ano, devido a ótima temporada agendada para sua trupe.  Eu colocaria um FIM aqui nesse texto, mas pelo que eu já conheço de Teófanes Silveira, muito arte e muita arte ele ainda há de fazer.